
Há quatro anos e meio na Intel, Cássio Tietê é o novo diretor de Marketing da companhia no Brasil desde setembro. Nesta função, o executivo é responsável por definir e conduzir uma estratégia integrada de Marketing para a empresa no país, reforçando a marca Intel entre seus diferentes públicos.
O caminho de sucesso foi longo, mas muito objetivo. Quando se deu conta de que queria atuar mais focado nas estratégias da empresa e nas ações que tivessem a ver com a principal fonte de receita da instituição, começou a se especializar e a se preparar para isso. “Passei a pensar como se a empresa fosse minha. Além disso, sempre procurei trabalhar em equipe, fazer tudo com muito envolvimento e paixão e ser verdadeiramente apaixonado por aquilo que faço. Sem esses elementos, você não procura desafios e não sai da sua zona de conforto. Foi assim que eu me aproximei muito do setor de Marketing e fui incorporando os elementos para ocupar o cargo de diretoria da área.”
Tietê é formado em administração de empresas e em análise de sistemas. Possui MBA Executivo Global pelas universidades da Carolina do Norte (EUA), Universidade Chinesa de Hong Kong e Instituto Tecnológico de Monterrey, e, antes da Intel, passou por startups na Argentina e Espanha, além da Hexacta e EDS.
Confira, a seguir, a entrevista com o executivo.
Como você chegou ao cargo de diretor de Marketing da Intel no Brasil? Estou na Intel há quatro anos e meio e tenho 22 anos de experiência no setor de Tecnologia de Informação. A minha entrada na empresa, em 2005, significou uma mudança de carreira, pois foi justamente quando eu havia terminado um MBA executivo internacional e tinha a intenção de trabalhar cada vez mais focado nas estratégias da empresa e nas ações que tivessem a ver com a principal fonte de receita da instituição. Com esse espírito, aceitei vir trabalhar na Intel, originalmente em uma área de canais voltada ao trabalho com parceiros que gravitam ou fazem parte do ecossistema da empresa.
A minha característica sempre foi ter foco em resultados pragmáticos, procurando pensar com a cabeça do dono da empresa, como se os recursos, ativos e as decisões que eu estivesse tomando, fossem relacionados diretamente com a estratégia daquilo que seria necessário para a corporação no médio e longo prazo. Isso me forçou, sempre, a procurar ligar todas as ações, desde a mais prática do dia a dia, até o sentido de qual é o retorno do investimento e qual é o valor da ação para a operação da empresa no país. Nesse espírito, procurei, à medida que fui desempenhando e trazendo resultados, ir mudando e experimentando novas áreas. Tive a oportunidade de trabalhar com departamentos que chamamos de influência, ou seja, áreas governamentais, atuar com organizações não-governamentais e empresas parceiras, como Microsoft, IBM e Itautec, e com isso, acabei tendo a oportunidade de cada vez mais entender como a empresa se posiciona e chega até o cliente final.
Sendo a Intel uma empresa de produtos de um ingrediente fundamental pra aquilo que é o PC, na sequência, também procurei, entender qual é o valor da nossa marca, o que ela representa para os nossos clientes, como utilizávamos essa marca e quais eram os instrumentos de Marketing que a Intel lançava mão para entregar o valor aos seus clientes. Então, passei a expor as iniciativas que existiam dentro da empresa e que atravessam todas as áreas e tive a oportunidade de coordenar e participar de alguns eventos importantes, como a Semana da Mobilidade (as grandes mobilizações que fazíamos no mercado para estimular a adoção de notebooks de mobilidade); me envolvi, também, com projetos como a Fórmula 1, que ia desde relacionamento com imprensa à campanha de incentivo a venda para consumidores, e com atividades de canais. Enfim, procurei dar a cara pra bater, sair da minha zona de conforto e compreender a Intel como um todo nessas outras áreas. E cada vez mais, fui me aproximando da área de Marketing.
Eu diria que o caminho que tracei passa um pouco por certas atitudes importantes e que sempre procurei ter na minha carreira. Como falei, primeiro pensar grande e como se a empresa fosse sua, além de procurar trabalhar em equipe, fazer tudo com muito envolvimento e paixão, e ser verdadeiramente apaixonado por aquilo que você faz, porque sem esses elementos, você não procura desafios e não procura sair da sua zona de conforto. Foi assim que eu me aproximei muito da área de Marketing e fui incorporando os elementos necessários. Até que julgaram que eu estava apto a exercer essa função. Além dela, me tornei porta-voz da empresa, mostrando que eu estava treinado e apto a conversar com jornalistas, representar e discutir temas específicos da Intel, o que fez, de certa forma, com que eu me aproximasse desta área.
Acredito que o segredo para o amadurecimento, seja qual for o desafio que você vá ter na vida, é ter humildade de sempre aprender e procurar. Além disso, também recomendo procurar se interar de temas não relacionados ao seu trabalho, como economia, ciências sociais, psicologia e filosofia. Esses, por exemplo, são assuntos que me interessam e que, de uma forma ou de outra, me ajudam a juntar os pontinhos, os sinais fracos, e a trabalhar o lado da intuição em conjunto com a racionalidade lógica que é importante em um papel executivo.
Outra coisa importante é nunca, nunca mesmo, deixar de estudar. Precisamos, sempre, nos aperfeiçoar. Não pretendo jamais parar de estudar. Tenho três pós-graduações, MBA internacional e voltei recentemente de Chicago, onde fui fazer um curso de estratégia de Marketing, que busquei por conta própria, ninguém da empresa me sugeriu fazê-lo. A gestão da carreira da gente é responsabilidade de cada um.
Você pensou que um dia atuaria como diretor de Marketing de uma empresa? Confesso que quando entrei na Intel, percebi que a área de Marketing era muito importante e estratégica, já que a marca é a sétima mais valiosa no mundo e o seu valor estimado é de 32 bilhões de dólares. Claro que pra quem valoriza fazer coisas que tenham a ver com a estratégia da empresa e trabalhar na área de Marketing é, com certeza, um sonho muito grande, foi aí que despertei o interesse maior pela área.
Como você se preparou para assumir esse papel? Fiz cursos, procurei estudar tudo o que é relacionado a Marketing online - já que cada vez mais os orçamentos de Marketing são voltados para a parte online, procurei me familiarizar o máximo possível com novos meios de comunicação e mídias. Formalmente, fiz alguns cursos de gestão de Marketing pela empresa. Mas, o mais importante foi o trabalho de, aos poucos, buscar desafios e projetos que tivessem a ver com a área e que me dessem uma experiência prática das disciplinas de Marketing, ou seja, uma mistura entre treinamento formal e mão na massa. Além disso, busquei encontrar mentores ou pessoas que eu identificasse como referências dentro da empresa e que me dessem algum tipo de coaching ou orientação. Esse foi o caminho, um conjunto de fatores e formas que encontrei para me capacitar o máximo possível para essa posição.
Como sua vasta experiência em TI foi importante para você ocupar o seu atual cargo? Eu tenho uma experiência bem grande de entender como pensa o usuário, quem usa a tecnologia. Tanto em grandes empresas, como em pequenas e médias, tive a oportunidade de participar de mais de cinco nascimentos de companhias do segmento de informática e web. Então, estive sempre do lado de quem toma a decisão e de quem utiliza e consome a tecnologia. Isso me ajuda muito a ponderar e identificar que tipo de mensagem, segmentação e linguajar podem ser usados para chegar ao consumidor dos nossos produtos que, invariavelmente, são consumidores indiretos, pois não vendemos processadores para usuários finais e empresas. Mas a Intel se relaciona, também, com usuários finais, já que temos programas importantíssimos, como o Intel Inside. E quando você recebe um jornal, revista, ou entra em uma página da web e vê anúncios que possuem o logo da Intel, isso é uma forma da empresa se comunicar com o usuário final. Acho que a experiência de ter trabalhado, como cliente e usuário, em várias indústrias me ajudou muito.
Quais são os maiores desafios nesta nova etapa profissional? Vivemos em um país grandioso, onde o mercado de computadores será, em 2010, o terceiro maior do mundo, atrás dos EUA e China, e crescerá, até 2014, em uma velocidade muito grande. Isso significa para a pessoa que está encabeçando a área, uma responsabilidade enorme, pois esse crescimento será muito impulsionado pelos consumidores da classe C, que vão ser incluídos digitalmente. Então, cada vez mais, será fundamental posicionarmos a nossa marca para esses consumidores e para aqueles que já estão mais habilitados e que lidam com a tecnologia no dia a dia, mostrando o quão importante é o desempenho dos processadores e o quanto eles são a alma do computador
Em sua opinião, o que um profissional precisar ter para atuar na área de Marketing? É fundamental ter muita vontade e interesse em ser analítico e em analisar o mercado e o cenário competitivo; além de ser orientado a dados e números, a partir de um belo mapeamento de mercado dos produtos e bens e posicionamento da concorrência para conseguir traçar estratégias vencedoras. É também fundamental conhecer os produtos da sua empresa e sabe como eles podem se relacionar com os seus clientes nos diversos segmentos e ter a capacidade de poder trabalhar e articular essas estratégia por meio dos diversos meios e canais que existem hoje em dia, como por exemplo, as mídias sociais, assim como a ação de Marketing cooperado, via canais e parceiros. São desafios que estão aí e o perfil precisa ter uma capacidade de, também, olhar as ações de Marketing de uma forma integrada.
É isso o que mais te atrai na área? O que mais me atrai é procurar convergir todas as iniciativas de Marketing e planos estratégicos, em ações, planos de comunicação e planos de Marketing que traduzam a estratégia de empresa, sejam exequíveis no dia a dia e que, no final das contas, possam ser imputados de responsabilidade e mostrem um resultado mensurável indicando o quanto estamos tendo sucesso ou não.
Nenhum comentário:
Postar um comentário