
Lucas Cunha, do A Tarde On Line
Segundo o ditado popular, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Mas não é nisso que apostam os produtores de "Se Eu Fosse Você 2", continuação do grande sucesso de bilheteria do cinema nacional em 2006, quando teve nada menos que 3,6 milhões de espectadores no Brasil.
O filme está em pré-estréia desde o feriado de Natal, mas entra hoje oficialmente em cartaz. A escolha pelo lançamento de filmes brasileiros logo no primeiro mês do ano tem sido proveitosa, já que o filme mais visto do ano passado, o drama com toques policiais "Meu Nome Não é Johnny", e o segundo mais visto em 2007, a adaptação do seriado da TV Globo "A Grande Família" (superado apenas pelo fenômeno "Tropa de Elite"), também chegaram à telona em janeiro.
O argumento inicial, que é idéia do diretor Daniel Filho ("A Dona da História", "Primo Basílio"), parte da mesma premissa do filme anterior: o casal Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) troca novamente de corpos sob a desculpa (estapafúrdia) da queda de um raio enquanto tem uma discussão dentro de um elevador. Mas pouco (ou muito pouco) importa como isso acontece: a trama toda se desenvolve a partir da idéia de como seria o comportamento de um homem no corpo de uma mulher e vice-versa.
Caso raro entre as sequências baseadas no sucesso de púbico, "Se Eu Fosse Você 2" consegue ser melhor (ou menos pior, a depender do ponto de vista) que sua primeira versão. Isso principalmente pelas boas achadas do roteiro, assinado por Daniel Filho, Adriana Falcão ("Auto da Compadecida"), Euclydes Marinho ("Primo Basílio") e René Belmonte ("Entre Lençóis"), além do melhor entrosamento da dupla Tony Ramos/Glória Pires.
Colaboram também para melhor êxito dessa segunda versão as aparições do casal interpretado por Maria Luísa Mendonça e Chico Anysio, pais do futuro genro da filha dos personagens de Tony Ramos e Glória Pires.Mendonça, que tem como papel de maior destaque no cinema sua participação em "Carandiru", parece estar apostando em papéis mais ligados ao humor. Recentemente, a atriz esteve no elenco da comédia "A Mulher do Meu Amigo", de Cláudio Torres, e também está no elenco do filme seguinte de Torres, "A Mulher Invisível", que tem lançamento previsto para 5 de junho.
Já Anysio, monstro consagrado da tv brasileira pelos seus inúmeros papéis e programas de humor, rouba todas as atenções quando aparece em cena – o que deixa um certo ar de indignação com as recentes notícias publicadas em sites nacionais dos pedidos (na verdade, estão mais para súplicas) do artista para retornar à ativa, que é sempre visto com descaso pela Rede Globo, com quem tem contrato até 2012.
Diretor – Os filmes que levam a marca do diretor Daniel Filho são vistos com certo receio por grande parte da crítica e cinéfilos mais rigorosos. E com razão.
Assumidamente, Daniel Filho não busca nenhum tipo de linguagem voltada para o cinema e baseia as escolhas de seu elenco nos atores mais populares da televisão brasileira.
A mistura pode resultar em frankensteins como "Primo Basílio", desconfiguração do romance de Eça de Queiroz, que virou algo entre o desconcertante, nas cenas de drama, e o porno-soft, nos momentos mais quentes do casal Gianecchini e Débora Falabella, Luísa e Basílio, respectivamente.
Por outro lado, seus filmes são feitos tentando dialogar com o público e agrada-lo, o que parece estar muito distante dos longas que não conseguem uma mínima sobrevida após o circuito de festivais.E Daniel vem sendo bem sucedido no seu contato com o público nas salas de projeção, experiência que não deve ser totalmente desprezada no contínuo processo de transformar o cinema brasileiro em uma indústria mais independente das verbas governamentais.
Como, na lógica de Daniel, seu público de mais de 3 milhões de espectadores não pode estar errado, ele, um dos principais nomes da história da TV no Brasil, continua tocando seus projetos no cinema à mercê dos críticos de plantão.Dois projetos já estão quase saindo do forno.
O primeiro é uma adaptação da peça "Novas Diretrizes em Tempos de Paz", de Bosco Brasil, que leva o nome de "Tempos de Paz" em sua versão para o cinema.
O outro projeto é levar para o cinema a vida do médium Chico Xavier.
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