Apesar do aumento no número de brasileiros que se reconhecem como negros, o cenário para a população de pretos e pardos no país ainda é de dificuldade. A avaliação é do pesquisador Mário Theodoro, diretor de cooperação e desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e um dos autores da publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 anos após a Abolição, lançada hoje (20).
“O que o estudo aponta é uma maior quantidade de pessoas que antes se declaravam como não-negras, ou seja, nem pretas nem pardas, e que começam a se declarar agora como tal. Isso acontece em função de um reconhecimento ou de uma valorização maior da cor negra".
De acordo com o pesquisador, o aumento do auto-reconhecimento entre a população brasileira se deve, entre outras coisas, ao papel do movimento negro no país. “Foi um trabalho de resgate e de valorização da questão racial que fez com que a população começasse a se reconhecer como negra”, diz.
Ele destaca, no entanto, que as condições de vida da população negra se apresentam de forma muito mais precária do que as vivenciadas pelos brancos. Uma das estratégias para mudar esse panorama, segundo Theodoro, deve ser a implementação de políticas específicas que caminhem junto às políticas universais.
Theodoro lembra que o Estatuto da Igualdade Racial, ainda em tramitação no Congresso, abrange uma série de políticas específicas e que valorizam a população negra, desde a necessidade de se aumentar o contingente de pretos e pardos nas novelas até manter uma certa paridade em setores que normalmente empregam mais brancos, como shopping centers.
(Fonte: Agência Brasil)
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